A escalada é um desporto que ainda não é muito reconhecido em Portugal. Como é que começaste a envolver-te na escalada e como é que foi o teu percurso?
Comecei a escalar com 15 anos. Na altura, havia muito poucas pessoas a escalar, mas acabei por ter contacto com a modalidade através de uma associação de jovens, perto da zona onde vivia, que promovia várias atividades diferentes, e um dia decidi experimentar a escalada. Inicialmente, não tinha muito jeito e o que mais me motivou a continuar foi, sem dúvida, o convívio, conhecer lugares novos e pessoas novas. Os lugares onde se escala são incríveis! Passado pouco tempo, comecei realmente a aprender a escalar e isso mudou tudo. A minha vida passou a ser só escalar durante todo o tempo que tinha. Quando não estava na escola, treinava numa parede improvisada na casa de uma amiga, porque, na altura, não existiam ginásios de escalada (rocódromos). Comecei, nessa altura, a ir a competições e, apesar do meu nível ainda ser ainda muito baixo, não havia muita concorrência e em pouco tempo estava a fazer pódios. As competições motivaram-me ainda durante uns anos... Treinei muito, muitas vezes sem qualquer apoio, e investi também bastante dinheiro a representar Portugal em campeonatos do mundo. Mas não foi a falta de apoio que me afastou das competições. A essência da escalada está nas montanhas, e estar fechado dias inteiros num pavilhão desportivo não tinha nada a ver comigo. Explorar spots de escalada pelo mundo e experimentar vias de escalada cada vez mais difíceis era o que eu queria fazer. É muito viciante escalar. Depois de mais de vinte anos a escalar, não tenho duvidas de que a escalada é um estilo de vida.
Consideras que o futebol ainda tira todo o tempo de antena a todos os outros desportos?
O futebol continua a mover muita gente e isso não vai mudar, porque o futebol faz parte da cultura portuguesa. Eu não acompanho o futebol, nem tenho clube, mas sigo os jogos da nossa seleção com mais entusiasmo do que sigo qualquer outro desporto, provavelmente porque a energia de estar muita gente unida a torcer pela mesma coisa é muito contagiante.
Em que medida é que o desporto é uma parte integrante e importante da cultura?
O desporto tem um papel bastante expressivo na cultura. O futebol, claro, pela influência que tem, é um bom exemplo, mas também há desportos que trouxeram novos estilos para a nossa cultura, como o hip-hop (na dança) ou o skate. A cultura acaba por influenciar, e por ser influenciada, por tudo o que nos rodeia.
Achas que a moda e o desporto podem andar de mãos dadas? Qual é que achas que pode ser a influência de um e outro nos respetivos campos?
Acho que sim. Julgo que o desporto oferece muitas formas de comunicar uma ideia ou um estilo. Lembro-me, por exemplo, que nos anos 70/80, os escaladores no mundo todo escalavam com calças de licra de cores berrantes, não porque fosse mais cómodo, mas porque era apenas uma moda.
Como definirias a moderna cultura portuguesa?
A moderna cultura portuguesa é cada vez mais multicultural. Não perdemos a nossa identidade, mas ganhámos mais cultura, mais sabores, mais ideias, mais inovações. Sinto que temos evoluído muito e rápido.
Qual é, para ti, o papel das marcas, como a Overcube, na voz que a moderna cultura portuguesa deve ter no que diz respeito ao desporto, à cultura, à diversidade, à disrupção, à inclusão e a outras tantas áreas essenciais ao desenvolvimento?
As marcas como a Overcube têm um papel muito significativo na nossa sociedade, porque as marcas com esta dimensão acabam por moldar gerações, de formas distintas e em áreas muito diferentes. Servem como grandes "influencers" na transmissão de ideais, conceitos, valores, estilos e modas.